“E sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feia e infeliz e confusa e abandonada e bêbada e triste, triste, triste.
“É quando a gente está junto com um monte de gente, que percebemos o quanto sentimos falta de alguém. E dói, porque você sabe que não vai ter quem substitua.
“Você sabe. Acho que sempre soube. Eu tinha medo de gostar de alguém, de me envolver, de me mostrar sem disfarces. Amar dá um medo danado. De perder a liberdade, a identidade, de se machucar, de não saber mais voltar.
“E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrário: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda.
“Por isso, peço para a vida: que seja feito o que precisa ser feito.
“Você vai rir de tudo isso,
espera um pouco mais pro fim da história.
Tudo passa, tudo muda,
muita calma nessa hora.
“Eu já não sei quantas vezes eu disse que não voltaria atrás e voltei.
“Alguns acreditam em anjos, eu acredito em amizade.
“Não venho escrever das minhas grandes decepções, como aqueles começos clichês “ah, ele me largou, me trocou por uma garota mais bonita e inteligente do que eu”. Não venho te dizer que choro todos os dias, que não sinto mais vontade de sair de casa, e que me prendo em um caderno escrevendo sobre tudo que me machuca, e que ao final jogo no lixo. Não! Não é assim que me sinto, não é assim que estou. Não fico me corroendo com pensamentos inúteis, não me permito mais chorar. Eu simplesmente desisti de me importar com coisas que jamais voltarão. Eu não choro por saber que não existirá mais um ‘nós’. Essa história me fez feliz, juro pra ti, fui realmente feliz. Mas no fim, essa felicidade se transformou em uma tragédia. A qual não quero vivenciar novamente. Escrevo no intuito de provar pra mim mesma que não me machuca mais a sua ausência, e que sua presença não é essencial pra mim como antes. Eu me acostumei sem ter você aqui, consegui me desprender daquilo que não me imaginava sem.